Aos poucos, as temperaturas começam a se elevar; é um sinal de que a primavera está próxima. \o/
O ritmo dos estudos começou a todo vapor, e com isso, o nível de dificuldade também, fato este que muitas vezes nos desanima muito (pelo menos, a mim), e a falta de dinamismo dos professores dentro de sala de aula (aqui, compara o método de ensino dos professores brasileiros com os professores portugueses), é uma grande barreira, pois algumas dificuldades são enfrentadas, e felizmente ou infelizmente temos de nos virar, e ir atrás dos conteúdos sozinhos, pois, muitas vezes, ou se estressam, ou explicam várias vezes a matéria do mesmo jeito (Cadê o jogo de cintura e os caminhos alternativos para a explicação do mesmo assunto?). Eu sigo o seguinte preceito (aprendido com meu irmão mais velho, quem admiro muito e de quem, por sinal, estou com saudades também!): "Quando for explicar, realizar algum trabalho, escrever, faça-o de forma simples, coloque os conteúdos necessários, mas explique de forma que a pessoa mais leiga no assunto possa entender. Se necessário, procure alternativas, mas faça sempre sabendo que pessoas com grande nível de ignorância no assunto estarão ali, e elas têm de entender." Concordo plenamente com isso. Certamente, se eu vir a dar aula algum dia, será o método (que eles utilizam aqui) que definitivamente eu não quero ter, quero fazer o diferencial e certificar-me de que as minhas aulas estão sendo proveitosas e todos estão entendendo o que quero transmitir.
Aproveitando o assunto acadêmico, durante estas últimas semanas reuni uma série de palavras portuguesas, juntamente às respectivas correspondências para nós, brasileiros. Conversei com meus amigos portugueses (que me ajudaram muito - obrigado, Carlos, pela paciência! hehehe) e com os amigos brasileiros também a respeito do assunto.
Vamos lá, há palavras de todos os gêneros:
Fiambre: apresuntado
Autocarro: ônibus
Metro: metrô
Comboio: trem
Equipa: equipe
T-Shirt: camiseta
Pombinha/Rata/Cona: órgão sexual feminino, vulgarizado
Pissa/Pila: órgão sexual masculino, vulgarizado
Guna: moleque, malandro, trombadinha
Atacadores: cadarços
Tacão: aquela parte fina do salto alto feminino
Tripeiro: quem mora no Porto
Alfacinha: quem mora em Lisboa
Prego no pão: lanche de carne
Gajo: homem
Gaja: mulher
Cabrão: cafajeste
Andar com alguém: ficar (relacionar-se sem compromisso)
Galão: xícara grande de café com leite
Shot: pequena porção de bebida
Sumo: suco
Fixe: legal
Giro: legal/bacana
Pastelaria: doceria (bolos, tortas etc)
Talho: açougue
Loiça: louça
Caloiro: calouro
Bata: avental/jaleco
Xixa: narguile
Durex (marca): camisinha
Moço(a): o mesmo que chamar alguém de moleque, trombadinha etc
Telemóvel: celular
Penso: bandeide
Cai-cai: tomara que caia
Perceber: entender
Está tudo: tudo bem
Tou: alô
Deitar: colocar
Bixa: fila
Paneleiro: forma vulgar para chamar alguém de gay
Fotocópia: tirar xerox
E ah, aqui no Porto, como na maior parte de Portugal, não se utiliza o gerúndio da mesma forma que o fazemos: Estou escrevendo um texto / estou a escrever um texto.
Você: utilizado para pessoas desconhecidas, sem intimidade. Caso estiver íntimo de alguém, trate por Tu (e, sim, terá de conjugar todos os verbos adequadamente hahaha).
É muito legal e interessante; eu sempre fico abismado com algumas palavras, com outras me mato de rir, mas sinceramente adoro muito isso. Consigo ver as diferenças linguísticas entre o nosso país e aqui. Isso sem contar na ampliação lexical a que estou submetido.
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| I LOVE PORTO!!!! eeeeeee \o/ |
Fascinado com o país, feliz com o que encontrei e encontro por aqui.
Portugal/Porto, mesmo estando longe a minha ida para o Brasil, já sinto saudade de tudo.
NOTA COMPLEMENTAR
Por Henrique BP. (via http://armazemhenrique.blogspot.pt)
Variação Lexical
Tratar de variação lexical atualmente é, sobretudo, tratar da diversidade e pluralidade cultural de diferentes espaços geográficos, ou épocas históricas, ou até mesmo, de diferentes pessoas. Delimitar o significado de “variação lexical” é algo que, neste momento, faz-se necessário a fim de compreender aspectos culturais, que, nomeadamente, são expressados por meio da língua de um povo.
Para definir variação lexical, há dois conceitos a serem levados em consideração: um tangente à variação, e outro ao léxico. Por fim, alguns conceitos de linguística devem ser aplicados para o estreitamento e realização do que hoje se entende por “variação lexical”.
“Variação”, em Linguística, é o que diz respeito à mudança, isto é, uma alteração em determinado ponto da linguagem verbal. Pela definição da palavra, não é necessário nem permitido fazer julgamentos de valor no que diz respeito a uma das formas de variação ser melhor do que as outras.
A variação linguística pode ser vista sob diferentes óticas. Entretanto, para fins específicos, a variação linguística diatópica é a que mais se faz evidente e presente neste texto. E isto diz respeito à mudança linguística em diferentes lugares em que a língua é realizada.
Outro conceito pertinente ao estreitamento do significado é o que diz respeito ao léxico (neste trabalho, um caracterizador da variação linguística, evidenciado por meio de um adjetivo – lexical). Definir o léxico é algo complexo, pois seu conceito é pluridimensional. “Léxico”, aqui, deve ser definido como a reunião das palavras de que um idioma se serve.
Por fim, mas não menos importante, é restante o estreitamento da expressão “variação lexical”, que tornou-se mais fácil, graças às duas definições supramencionadas. “Variação lexical”, pois, refere-se àquilo que diz respeito à mudança (não sujeita ao julgamento de valores) das palavras de uma língua para a expressão de diferentes signos linguísticos.
Variação lexical em Português
Delimitar o espaço geográfico da variação lexical faz-se necessário a partir do momento em que o trabalho é calcado em uma variação diatópica do léxico. Numa perspectiva linguístico-cultural, isso deve ser analisado com base nas diferenças lexicais entre Portugal e Brasil.
A variação lexical dentro da Língua Portuguesa, falada em ambos os países, deve ser tida como um acontecimento histórico-social, nomeadamente, no que diz respeito ao contato daqueles que têm a língua portuguesa como língua materna com os falantes de outras línguas, ao longo da o tempo e dos processos expansivos e coloniais.
Conforme a Língua Portuguesa foi se tornando língua oficial do Império, ela acompanhou as pessoas que saiam do território português em busca de aventuras (colonizadores, navegadores, comerciantes, padres...), e os diversos contatos entre o Português e as línguas locais fizeram com que as variedades surgissem, de maneira distinta, em diferentes locais.
A Língua Portuguesa, como se sabe, é falada em diversos países do mundo, em diversos continentes. Seria estranho se fosse uma língua idêntica em todos esses lugares. A mudança lexical é uma das numerosas variações que há de um país a outro.
Não é prudente, também, tratar Brasil e Portugal como territórios que tenham a Língua Portuguesa de maneira unificada, negligenciando as diferenças linguísticas de região para região. Isto não corresponderia à realidade.
Português Brasileiro e Português Europeu
Atualmente, é comum a diferente nomenclatura para a Língua Portuguesa falada no Brasil e para aquela falada em Portugal. Isto se deve ao fato de, sob a ótica da performance, as línguas serem distintas entre si.
As divergências existentes na língua falada em cada país são menores do que as convergências. Contudo, são nas divergências que se veem resultados de choques e misturas culturais entre, por exemplo, colonizadores e colonizados.
O Português Brasileiro (PB) e o Português Europeu (PE) variam entre si, tendo em vista, principalmente, níveis fonológicos, morfossintáticos e semântico-lexicais. Embora o foco deste texto sejam as variações sêmantico-lexicais, acredita-se que seja importante o conhecimento das demais.
