Hoje, o Jeff's Tour deixará de lado as viagens, a faculdade e a vivência aqui em Porto, e falará por si, como pessoa física: agora quem quem está aqui é Jefferson Vieira Santos, filho da mulher mais importante de toda a sua vida.
Começarei por essa música que expressa tudo o que sinto. Caro leitor, assista ao vídeo e leia o post de hoje.
Mãe, é o primeiro dia das mães que estamos distantes, mas o meu amor por você só tem aumentado.
Os primeiros meses foram duros: acordar com a sensação de que iria te encontrar na cozinha e soltar "benção, mãe", sempre achando que a qualquer momento você fosse entrar pela porta do apartamento e dizer, "Jé? Cheguei", e eu indo correndo te abraçar. Senti tanto, mas tanto, que achei que não fosse me adaptar aqui; com minhas dificuldades na faculdade, minha vontade era de chegar em casa e ter a certeza de que fosse te encontrar, te dar um abraço forte, à espera de um "Calma, Jé, tudo vai dar certo", as palavras que a senhora sempre me diz e que tanto me confortam. Lembro-me como hoje, falando por Skype, chorando, chorando, e a senhora tentando me acalmar, vendo que a tua vontade também era a de desabar, mas sempre firme e forte, encorajando-me.
Por mais difícil que tenha sido (e ainda é para nós), hoje digo com convicção que esse "corte" no meu cordão umbilical foi mais do que importante: eu precisava evoluir, crescer como ser humano; aprender a dar valor a coisas pequenas; a valorizar ainda mais algo que, pra mim, sempre foi prioridade: família. Imagina, já sei lavar roupa, limpar a casa, cozinhar, fazer despesas, ter minha autonomia. Antes eu tinha a roupa limpa e passada, comida pronta, tudo certo... hoje não é mais assim. =/
Mãe, tudo o que sou hoje devo eternamente à senhora. Obrigado por me encorajar, por fazer parte da minha vida e por acreditar em mim; um dia eu te prometo que serei sinônimo de muito orgulho para a senhora.
EU TE AMO MUITO, e espero que, mesmo que de longe, através dessas palavras, a senhora possa sentir todo esse meu amor. Não quero te ver triste, muito pelo contrário. Sempre que sentir saudade, estarei no Skype (nos falamos todos os dias, né? kkk). Falando sério, quando a saudade apertar, leve sua mão ao coração, e lembre-se de que eu estou ali dentro. TE AMO muito!
Feliz dia das Mães!
quinta-feira, 9 de maio de 2013
Queima das Fitas
(cor do título em homenagem à Faculdade de Ciências - Química)
Saudações, galera!
O post dessa semana do Jeff's Tour destinar-se-á à "Queima das Fitas", evento pelo qual dei uma passada e simplesmente curti muito (foi "giro"!)...
O que é a Queima das fitas? (falarei de acordo com o que vi, e pelos conhecimentos a mim passados; se alguém tiver algo a acrescentar, por gentileza, deixe nos comentários. Obrigado!)
Para falar da Queima, terei de falar um pouco da praxe, então vamos lá:
A praxe (parecida, em parte, com o nosso trote) ocorre o ano todo (sim, durante um ano), período durante o qual os veteranos saúdam os novatos, mais precisamente os "caloiros", e esses são assim praxados.
No que consiste essa praxe:
Cantar musiquinhas;
Entoar gritos de guerra e andar de mãos dadas pela faculdade e pelas ruas (todos em fila indiana, cada um com o seu par HxH e MxM)... só vendo mesmo, é muito engraçado.
Vestir por um ano a mesma camiseta, sem que ela seja lavada.
Obedecer aos veteranos.
E por aí vai. Para aqueles que burlam alguma regra da praxe, há algum castigo, que vão de: ficar com orelhas de burro ou rena a andar todo pintado com um cajado nas mãos, com placas engraçadas a "zoar" o calouro, que fica parado no local mais movimentado da faculdade, com a cabeça baixa, e o veterano à sua volta.
O negócio é sério mesmo: eles obedecem às imposições (você andará e sempre ouvirá: "Sim, senhora, doutora"), pois faz parte de uma certa cultura daqui.
Passado um ano letivo, vem a semana da Queima das Fitas, durante a qual ocorre a transição dos calouros para veteranos. (Aí eles passam a poder usar aquela roupa de Harry Potter).
A Queima das Fitas começa no mês de maio, no sábado (todos esperam ansiosamente por este evento, que vira uma grande festa na cidade!), com a serenata, que ocorre na Avenida dos Aliados, para onde todos os universitários vão, assim o padrinho ou a madrinha de cada calouro "batiza-o" para que eles possam utilizar a roupa. Nesse batismo, eles jogam vinho na cabeça do calouro e, depois, cerveja; alguns entram no chafariz e tomam banho com as roupas, etc. É uma festa gigante, com todos a beber, o que chega a ser incrível, pois eles bebem muito!
Segue um pequeno vídeo feito por mim. ^^
No domingo, há a missa de benção das pastas. Todos os universitários que se formam vão pra lá, todos trajados, com as pastas e as fitas nas mãos (essas fitas são oferecidas a eles por amigos, que escrevem nessas fitas desejando-lhes sucesso, escrevendo-lhes poemas, etc.). Cada curso possui uma cor de fita.
A missa é muito bonita, os familiares dos estudantes vão, emocionam-se ao ver o filho se formando e trajado, oferecem-lhes buquês de flores... é emocionante. Por um momento senti-me emocionado ao ver a alegria dos pais para com os seus filhos, e imaginei meus pais ali a me cortejar.
Missa da benção das pastas: Tati, eu, Jéssica e Fernando
Na semana da Queima, é facultado aos professores decidirem se há aula de suas disciplinas ou não, e à noite tem festa (durante os 7 dias), no lugar a que eles chamam de "Queimódromo". Essa festa é como se fosse uma quermesse, em que você compra os ingressos para os dias aos quais quer ir. Lá há várias barraquinhas, de todos os cursos e todas as universidades, vendendo bebida a preço baixo: e aí, já viu, né? Festa, bebida, música... até altas horas.
Uma das barraquinhas
Barraquinha
Claro que não podia faltar minha paixão: CAIPIRINHA DE VODCA PRETA \o/
Na terça feira, acontece o cortejo. O cortejo se parece com um desfile de carnaval (é sensacional): todas as faculdades se juntam e cada uma tem seu "caminhão", que é enfeitado com o lema do curso, e os Doutores da praxe vão em cima desse caminhão, enquanto que os calouros e os veteranos vão ao chão. Os calouros, claro, vão sempre sendo praxados pelo percurso todo. Vira festa, a cidade para!
Os Doutores, entre si, andam com uma cartola na cabeça e uma bengala nas mãos: quando um amigo se aproxima, esse amigo pega a bengala e dá 3 batidas na cabeça do Doutor, desejando-lhe coisas boas.
Uma cor de fita para cada curso.
Esquerda para a direita: Nayara, Drielli, Amanda, Tati, Jéssica, Fernando, Aline, Priscila, eu e Mabi.
Outro vídeo feito por mim:
Em resumo, a Queima das Fitas, para mim, foi algo incrível, marcante, e que, sem dúvidas, é muito bonita de se ver: uma cidade inteira se reunindo para ver os estudantes, e todo o ritual que eles fazem, sem nenhuma agressão ou qualquer desrespeito para com quem quer que seja. Parabéns aos estudantes de cartola, aos calouros que se tornaram veteranos e aos próprios veteranos. Porto/Portugal, cada dia meu amor por você só aumenta.*.*
E assim encerro o post de hoje.
Comentários dos leitores:
"As fitas que estão nas pastas não estão só por estar têm uma função, cada uma delas têm um significado,por exemplo: uma pertence aos pais, outra à familia, outra aos amigos, outra ao namorado, e por aí fora. Entretanto, os veteranos, são todos aqueles, que excedem o número de anos que cada curso tem se o meu curso tem 4 anos e eu ja la estou à 5, já sou veternana! Doutores, são todos os que não são caloiros! E tens os caloiros depois tens o DUX, que é eleito pela academia, entre os veteranos, e por todas as faculdades, entre os mais velhos, seja rapaz ou rapariga, claro que está que normalmente é um aluno que participa imenso na vida académica."
(comentário enviado pela Diana, uma amiga muito querida que fiz aqui, ela é portuguesa, e já participou da praxe. Obrigado Diana)
"Os que andam com a cartola e bengala são chamados finalistas, os doutores são do terceiro ano e os veteranos são os bem mais antigos." (Comentário enviado pela Israele, também da química e PLI, obrigado Israele por essa observação).
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N. D. R.: Deve-se ressaltar que não são todos os estudantes que aderem à praxe acadêmica. Há aqueles que são anti-praxe, defendendo que esta seja apenas um meio de os veteranos estabelecerem superioridade sobre os calouros, gerando um cíclico comportamento de autoritarismo entre os estudantes. A Universidade respeita e suporta a diversidade de opinião no tocante à praxe.